Município da Covilhã
Tlf:. 275 330 600
Jan.23.2022
DESCOBRIR E EXPERIENCIAR COVILHÃ

A partir do verão de 2021, a população covilhanense terá a oportunidade de participar num leque diversificado de eventos culturais de acesso livre, com uma programação que se estenderá até 2022. As experiências culturais proporcionadas e promovidas em diferentes espaços públicos da cidade, foram organizadas no âmbito da candidatura “DESCOBRIR E EXPERIENCIAR NOVOS TERRITÓRIOS – Estarreja/ Aveiro/ Covilhã”, apresentada à Programação Cultural em Rede e financiada por fundos comunitários. A candidatura sugere novas experiências de visita ao território focadas no seu património material e imaterial, transformando espaços públicos em novos palcos culturais e artísticos no perímetro urbano. Neste sentido, foram criados roteiros específicos para visitar e experienciar, que abrangem os 3 municípios promotores da candidatura e criam pontes entre os ativos patrimoniais específicos de cada lugar.
A Candidatura “DESCOBRIR E EXPERIÊNCIAR COVILHÔ responde à necessidade dar visibilidade a elementos singulares que caracterizam o território dos três municípios pelo que, enquanto programa cultural, articula consequente e criteriosamente os recursos endógenos, sejam eles materiais, imateriais, físicos ou humanos. A nível cultural, a Candidatura presta um forte contributo para a dinamização das economias locais, pela sua capacidade de acrescentar valor à cultura e ao património existentes e por, simultaneamente, contribuir para a captação de um segmento turístico em franca expansão: o turismo cultural. A integração dos eventos culturais em contextos urbanos e não urbanos em simultâneo, permite valorizar transversalmente diferentes tipologias de património material ou imaterial do território, potenciando o usufruto da arte em locais públicos de acesso livre e procurando manter uma relação direta entre o espetáculo/ação e o contexto espacial em que se insere. Ao mesmo tempo, este tipo de eventos permite fortalecer a dinâmica entre as artes, o público e a economia local (comércio, hotelaria, restauração e serviços), sendo também capaz de estimular a economia da região através da atração do turismo e da aposta em produtos culturais diferenciadores.
 

No passado dia 27 de junho, a Covilhã acolheu a poética sonora de Joana Guerra e do seu violino. A violoncelista, compositora, performer, artista e bailarina foi acolhida pelo público covilhanense, proporcionando um concerto organicamente enquadrado e fundido com os espaços da cidade. Quando atua, Joana Guerra nunca está sozinha: acompanham-na a intuição, a curiosidade, a experimentação e a generosidade (partes integrantes de si e do seu processo artístico), bem como um leque de anteriores experiências e de vibrantes participações em diversas áreas artísticas. Com um percurso multifacetado, do erudito ao noise, das caves de Lisboa às salas europeias, é com o projeto a solo que trouxe à Covilhã que Joana Guerra tem consolidado o seu nome a nível nacional e internacional. Joana Guerra conta já com três discos editados, entre eles o aclamado Cavalos Vapor (2016), no qual tece melodias hipnóticas nas cordas do seu violoncelo. A sua voz é uma entidade etérea, que paira sobre as canções como um chamamento onírico, exercendo um efeito encantatório sobre a plateia e lembrando que, apesar dos tempos que vivemos, a beleza artística é um escape possível e pode ser invocada.

Dia 21 de julho de 2021, o público covilhanense teve o privilégio de assistir a um espetáculo protagonizado por elementos da companhia Teatro SÓ. O espetáculo poético reflete sobre uma temática contemporânea e uma fase da vida particularmente sensível: a velhice. Por aparente falta de tempo, em nome do progresso e do ritmo de evolução da sociedade e das rotinas, os idosos são frequentemente esquecidos e abandonados. Veem as portas frechar-se diante da possibilidade de novos sucessos, conquistas e entregas a uma atividade, ocupação ou trabalho. Ao longo dos anos, os seus dias resumem-se ao vaguear pela cidade, à espera que algo de novo aconteça e contemplando o passar do tempo. Os espetáculos da companhia Teatro SÓ chamam a atenção para a beleza do envelhecer, num grito de urgência que ecoa a necessidade de proporcionar um envelhecimento ativo e a continuação da participação cívica, social e emocional dos idosos, reintegrando-os nas dinâmicas das suas comunidades. No fundo, possibilitar aos idosos a vivência plena e realizada de uma nova fase das suas vidas, de forma adaptada aos seus cuidados e limitações. O Teatro SÓ apresenta uma peça que coloca o carinho, a emoção, o amor e a poesia das imagens em primeiro plano, sem recurso a texto falado e combatendo os estigmas frequentemente associados à velhice. Foi um espetáculo de grandes dimensões, com um forte impacto visual no espaço público circundante e na memória dos espetadores.
 

No dia 22 de julho de 2021, o público covilhanense foi surpreendido por uma inusitada carrinha, estacionada junto a um movimentado espaço da cidade. Na traseira do veículo, encontrava-se montada uma pequena plateia. Os espetadores, curiosos, reparam: a carrinha está cheia, até ao topo, de caixas, caixotes e caixinhas, rigorosamente organizadas e catalogadas. É na organização e reorganização destes caixotes que a cenografia do espetáculo se vai transformando: os aglomerados de volumes sugerem, de repente, uma cidade, criando espaço para as marionetas e objetos que, saídos de cada caixa/cubículo, fazem a sua aparição e contribuem para a construção da história. Este é o ponto de partida para “Qubim”, o espetáculo apresentado pela Trupe Fandanga (Circolando) na cidade da Covilhã.
 

“O GAJO” nasce em Lisboa na primavera de 2016, pelas mãos de João Morais, músico desde 1988. O seu intuito é ligar a música que produz a Portugal, o país que o viu nascer. Nesse âmbito, 30 anos depois de começar a tocar guitarra, conhece em Beja a Viola Campaniça, um instrumento centenário de raiz tradicional e que faz parte da história cultural portuguesa. Também conhecida como Viola Alentejana, a Viola Campaniça era o instrumento musical usado para acompanhar os célebres cantares à desgarrada ou “cantes a despique”, nas festas e feiras do Alentejo. É a maior das violas portuguesas e possui 5 ordens de cordas, tocadas tradicionalmente de dedilhado, apenas com o polegar. João Morais fez viajar a sonância inconfundível da Viola Campaniça de Beja para Lisboa, explorando-a e imprimindo-lhe novas tonalidades, mas mantendo sempre intacta a sua portugalidade. As composições d’O GAJO soam a fado, mas não o são. Soam a música tradicional portuguesa, mas não o são. São um híbrido de heranças, inspirações e experimentações, expressas em cada um dos acordes tecidos pelas suas mãos. O GAJO toca música do mundo, para o mundo… E no passado dia 23 de julho de 2021, trouxe o mundo inteiro nos seus acordes ao público da Covilhã.

LIKA (de Angelica) é uma cantora, guitarrista e compositora internacional, natural do Cazaquistão e com carreira sediada em Lisboa. Foi no espetáculo que trouxe à Covilhã, no passado dia 24 de julho de 2021, que apresentou ao público o seu primeiro álbum de originais “Back to Zero”, misturado no LAFX e masterizado no Golden Mastering. A sua musicalidade mistura sonoridades de Groove e de Pop, com influências de Rock, Jazz, ou mesmo Funk dos anos 70. A música de LIKA já é uma música além-fronteiras, com originais cantados em inglês, português, russo ou cazaque, tendo vindo a contabilizar milhares de ouvintes espalhados por todos os continentes. 
 

Benjamin estreou-se na Covilhã no passado dia 6 de agosto de 2021. Regressado a Portugal em 2013, após quatro anos a viver em Londres, o escritor de canções colocou a guitarra de lado quando decidiu fazer as pazes com o seu instrumento de sempre, o piano, e com a sua antiga paixão: o velho e pouco fiável sintetizador Roland Jupiter 6. Conhecido como Benjamim, Luís Nunes é um músico e produtor português que ligou a caixa de ritmos ao gravador de cassetes e partiu para a maior aventura sónica da sua discografia.
 

No passado dia 27 de novembro de 2021, o Teatro Municipal da Covilhã teve o privilégio de receber um dos nomes incontornáveis do Novo Circo, João Paulo Santos, que apresentou a sua nova criação intitulada "Une Partie de Soi". Espetadores e artista partilharam o palco durante uma performance artística, poética e intimista. João Paulo Santos é um artista de circo contemporâneo especializado em mastro chinês, que estudou circo no Chapitô (Lisboa) e nas escolas francesas ENACR e CNAC. A inovadora forma de praticar e se expressar no mastro chinês levou-o rapidamente a ser considerado um mestre, recorrendo com frequência à dança, à acrobacia, ao vídeo e à emoção nos seus espetáculos. Em 2005 criou a sua própria companhia em conjunto com o músico francês Guillaume Dutrieux, denominada O Último Momento. As suas criações têm circulado pelo mundo inteiro e chamado a atenção pelo caráter inovador e capacidade técnica. Neste espetáculo, o artista regressa à fonte e mergulha ainda mais longe na transcrição de um movimento coreográfico potente e imaculado. Uma parte de si mesmo conta a história de um corpo, do ponto de vista de quem o habita e que mantém com esse corpo uma relação plena de respeito e de elevados padrões. É uma travessia vertical, seguindo a linha do mastro chinês, que mostra o homem além do esforço. Contar por dentro, com o tempo ao pormenor, com uma profunda sinceridade feita de tensão, num movimento quase aquático… Trata-se de uma imersão neste estado único de presença de um corpo que entra em cena.
 

No passado dia 3 de dezembro de 2021, Tó Trips, um dos mais reconhecidos músicos nacionais, apresentou o seu mais recente trabalho no Teatro Municipal da Covilhã: a banda sonora do filme “Surdina”, uma “tragicomédia minhota” realizada por Rodrigo Areias com argumento de Valter Hugo Mãe. “Surdina” trata da velhice, do amor, das memórias passadas e do que ainda resta para sonhar e amar quando a idade avança significativamente e o corpo se enfraquece. Tó Trips transpõe estas ideias para uma banda sonora que recorre ao compasso da guitarra clássica aliada à elétrica, com um som vincadamente nostálgico que recorda os Dead Combo. Tó Trips cria música tradicional e popular, associando-a à velhice retratada no filme. Se a imagem eterniza uma realidade que ainda hoje se vive – eclipsada pelo desenvolvimento que escorre da cidade – o som conta, por si só, uma história. Salienta a narrativa, acompanha-a, mas nunca se lhe sobrepõe. O artista encapsulou as rotinas citadinas – que ainda não se apagaram – na banda sonora original de “Surdina”, que ganhou forma física (e digital) num disco com o selo Revolve. Produzido pela Bando à Parte, o elenco de "Surdina" conta com nomes como António Durães, Ângela Marques, Ana Bustorff, Jorge Mota, Filomena Gigante, Clara Moreira, João Pedro Vaz e Rosa Quiroga. Durante o cine-concerto, Tó Trips interpretou ao vivo e na integra a banda sonora do filme.