MATEUS FERNANDES

O Mosteiro de Santa Maria da Vitória foi mandado edificar por D. João I, em acção de graças pela vitória de Aljubarrota. A sua construção começou no mesmo ano da batalha, em 1385, e por disposição testamentária, D. Manuel I mandou que se acabassem as capelas deste maravilhoso monumento nacional. O arquitecto Ouguet concluiu a Capela do Fundador, construiu a sacristia e o refeitório e parte do Claustro Real. Martim Vasques e Fernão de Évora continuaram a obra de Ouguet, tendo o último levado a termo o segundo claustro. Depois de 1467, sucederam-se nas obras do mosteiro os arquitectos Guilherme e António de Castilho, bem como Francisco Arruda, que trabalham nas Capelas Imperfeitas, assim chamadas por se não terem dado por concluídas. O arquitecto Afonso Domingos, mais famoso pela lenda que à sua volta teceu Alexandre Herculano, terá concluído, já cego, a Casa do Capítulo.
Pela tradição se diz que Afonso Domingues, "arquitecto da Batalha" era covilhanense, por certo por confusão com Mateus Fernandes, já que Bernardo de Brito, na sua Monarquia Lusitana, o dá como natural de Lisboa, baptizado na freguesia da Madalena.
Em 1490, Mateus Fernandes é já Mestre da Batalha. Assim se lhe refere D. João II numa carta em que lhe faz uma doação.
No livro intitulado "Retratos de Varões Que Ilustraram a Nação Portuguesa", da autoria de António José de Figueiredo, vem desenhado o retrato de Mateus Fernandes, com a legenda de ser da Covilhã, e "o mais insigne arquitecto, cujo nome conserva a história do Reino, a quem podemos chamar o primeiro arquitecto da Europa e do seu século. Segundo o mesmo autor, D. João II facultara ao ilustre arquitecto viajar pela Europa, a fim de tomar contacto com a arte das catedrais europeias. Ainda o mesmo autor terá visto confirmada a naturalidade de Mateus Fernandes em uma crónica carmelita, facto que não é contestado pelo Cardeal D. Francisco de São Luís, que, apontou erros no citado livro.
Ignora-se a data do nascimento de Mateus Fernandes, sabendo-se, todavia, que morreu em 1515, tal como se pode ler numa pedra tumular, à entrada axial do templo.
Mateus Fernandes terá sido o introdutor do estilo manuelino, ou estilo gótico português, caracterizado pela introdução de temas marítimos, vegetalistas e exóticos, inspirado na gesta dos Descobrimentos.
O ilustre covilhanense trabalhou no átrio, no pórtico principal, nas abóbadas das Capelas Imperfeitas e talvez na conclusão da Casa do Capítulo. Enquanto era substituído nas obras do Mosteiro por seu filho, do mesmo nome, Mateus Fernandes trabalhou na reconstrução dos Castelos de Almeida e de Castelo Branco. Pode estranhar-se porque não terá trabalhado nas torres e muralhas da Covilhã, sua terra natal. O que se sabe é que ele foi igualmente arquitecto da Igreja da Misericórdia das Caldas da Rainha, onde se vislumbram traços do seu estilo peculiar manuelino.
No último ano da sua vida, terá ainda gizado o plano da Igreja Matriz da Batalha, que só seria concluída em 1532, isto é dezassete anos após a sua morte.
Cabe, pois, à Covilhã, a glória de ter sido berço de um dos mais insignes arquitectos do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, a mais requintada obra do manuelino português, estilo de que foi introdutor, e que é o mais representativo, senão único, da individualidade da arte portuguesa.


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