MORAIS DO CONVENTO (1806 / 1872)

Manuel de Morais da Silva Ramos, mais conhecido por Morais do Convento ou Morais da Covilhã, foi um grande escultor aqui nascido em 6 de Janeiro de 1806.
À volta da sua figura de artista e de aventureiro tecem-se lendas sem nexo. Tendo frequentado a Casa Pia de Lisboa, cedo revelou a sua vocação para o desenho e para a escultura. Aos dezoito anos, entra para a Brigada Real da Marinha, e nos anos conturbados de 1832/34 já se encontra no Porto, onde combate no cerco dos Liberais. A sua arte de modelar, esculpir e desenhar não passou despercebida ao fundador da Fábrica de Louças da Vista Alegre, onde trabalhou, mas foi na Cidade Invicta que logo se distinguiu como medalhista e escultor. A medalha comemorativa da visita de D. Luís ao Porto, no ano de 1852, a da Real Sociedade Humanitária e a que foi dedicada à memória de Carlos Alberto de Itália em 1854, são peças artísticas de valor meseológico, cujo paradeiro, como outras obras deste mestre, se desconhece. Em 1864 trabalhou no monumento a D. Pedro V.
Escultor exímio, era capaz de reproduzir à perfeição libras em ouro, que se não extremavam das autênticas, e isso levou-o ao excesso de abrir cunhos de moedas, sendo preso, arguido de moedeiro falso, nas cadeias da Relação do Porto.
Esculpia belas imagens de santos, em madeira de buxo, para as igrejas, e trabalhava em prata magníficas salvas e candelabros.
Pintava igualmente quadros a óleo. A sua obra prima é uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, executada em buxo, tendo no seu pedestal, em finíssimos lavores, o cenário do Natal. Quem alguma vez teve o privilégio de admirar essa obra, dá conta do seu fascínio. Tal peça de arte, que há muito deveria pertencer ao património da Covilhã, dizem encontrar-se já estropeada e ainda em poder da família do artista.
Na antiga Igreja de São Tiago, existia uma imagem do Senhor da Agonia, obra de Morais do Convento. Imagens pertenças do antigo Convento de Santo António, usurpado em 1834 pelas Leis de Mousinho da Silveira, foram distribuídas por igrejas da cidade. Dessas imagens, uma foi a do Senhor dos Aflitos, que terá ido primeiro para a Capela do Senhor da Ribeira, e depois da demolição desta, para a Igreja de São João. Outra, a da Senhora da Boa Morte, terá ido para a Igreja de Santa Maria Maior. Como quer que fosse, Morais do Convento procurou reaver, de forma rocambolesca, algumas imagens do Convento, o que acarretou novas pendências com as autoridades. Não obstante, reza a tradição que era esmoler, capaz de dar tudo de seu aos pobres.
Do Porto regressou à terra natal, muito combalido de saúde e de ânimo. Tinha, contudo, dinheiro suficiente para comprar as casas do antigo Convento de Santo António e nesse lugar aprazível, donde se desfruta uma ridente paisagem sobre a casaria da cidade e sobre a várzea do Zêzere, viveu o artista os seu últimos anos, apagados e silenciosos. Transformou as celas do Convento em salas, quartos e oficina de trabalho. Quando Eduardo Coelho, director do "Diário de Notícias" visitou a Covilhã, talvez no último ano da vida do escultor, 1872, foi vê-lo, levado pela curiosidade e fama da sua vida quase lendária. Diz-nos no seu livro "Passeios na Província", que encontrou um velho acabado e triste, cego e paralítico. Era o que restava de um homem que teria sido grande na arte deste país, se outros têm sido os seus fados.
No Museu Arte e Cultura figura a imagem do "Coração de Maria" e o quadro a óleo da "Ressurreição".
Morreu em 26 de Setembro de 1872 e tem o seu busto, de sua própria autoria, no cemitério desta cidade.


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