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Município da Covilhã
Tlf:. 275 330 600 (Chamada para a rede fixa nacional)
Boidobra

Morada:
Rua Francisco Leal
6200-301 Boidobra

Tel.: (+351) 275 324 547

Email: geral@freguesiaboidobra.pt 

Site: www.freguesiaboidobra.pt

Serviços Administrativos

Dias úteis, 9h00 – 12h30 | 14h00 – 17h30

Atendimento do Executivo

Todas a sextas-feiras, entre as 16h00 e as 18h00, mediante marcação

Reuniões Públicas

1ª sexta-feira do mês: 21h00

Origem, Geografia, Relevo e Clima

 Origem

            A antiguidade da Boidobra fez esquecer a origem e o significado do seu nome, o qual, pela pronúncia que hoje tem, em língua diferente à original, dá argumentos a explicações mais ou menos arbitrárias.

Sabendo que esta região no período da proto-história foi habitada por várias tribos celtas que, mais tarde, se haviam de unir para combater a entrada dos romanos na Lusitânia, é de todo credível a origem do topónimo Boidobra, conforme mencionado por Joaquim da Silveira (Silveira, 1914, p. 123): “ Boidobra, freguesia do concelho da Covilhã, tem a mesma grafia já no séc. XIII ou XIV. Comparo este nome a Bodobrica ou Boudobriga, ópido germânico sobre o Rheno na época romana.”

            Pegando nesta comparação do topónimo, e tentando desconstruir a palavra, o mesmo autor remete-nos para a explicação dada por José Leite de Vasconcelos (Vasconcellos, 1905, p. 62) que, ao fazer referência a nomes pessoais celtas, nos elucida que: “Boudica, que se decompõe em Boud-ica, sendo o primeiro elemento o mesmo que se encontra em Boudillus=Boud-illus, Boudius, etc.,”. Continuando ainda na sua análise, o dito autor confirma que: “Entre os nomes dos antigos povos há muitos que evidentemente designam habitantes de uma cidade...” (Idem, p.76) ou “Também aconteceu que no decorrer dos tempos um nome ethnico se tornou às vezes geográfico.” (Ibidem)

            Ainda relativo à segunda parte deste topónimo, Joaquim da Silveira, referindo-se à origem do topónimo Macieira de Cambra, menciona que: “A forma deste nome nos doc. do séc. XI é sempre Calambria; no séc. XII e XIII aparecem Caambria, Caambraha, Caambra, Caumbria e Kalumbriae.

            Creio que as duas sílabas finaes de Calambria contém o elemento céltico - briga «altura fortificada, castro», muito vulgar na toponymia archaica da Peninsula. Por via de regra, da terminação - briga resultou nos toponymos que chegaram até à idade média - bria.” (…)De primitivos nomes terminados em - briga provirão por ventura, na máxima parte senão todos, os seguintes toponymos portugueses que acabam em – bra = bria.” (Silveira, 1914, p. 122).

            A história diz-nos, ainda, que os Celtas habitavam nos montes e castros (tipo de povoado) da Península Ibérica. Os povos que habitavam a Lusitânia estabeleceram uma aliança com os Vetões (que habitavam na atual Salamanca − Espanha) e que durante 200 anos combateram os romanos. Roma, ao conquistar a Península Ibérica, obrigou os povos celtas a deixarem os montes e castros (Serra da Estrela?) e a viverem em zona mais planas (onde se localiza a atual freguesia da Boidobra), como forma de controlo e cobrança de impostos.

Pelo exposto, e atendendo a que − briga − era a designação celta atribuída aos castros, poderá deduzir-se que o nome Boidobra seria o castro ou o povoado de alguém com o nome de Boudius. Aliás, até 1911 a grafia de Boidobra era Boudobra, como consta das atas da Junta de Paróquia e no arrolamento e inventário de bens aquando da separação do estado com a igreja, o que nos leva a concluir ser este o estudo toponímico mais credível. Ou seja, Boido = Boudo = Boudius e bra = Briga = bria = bra.

Geografia

            Boidobra é uma freguesia criada em 9 de fevereiro de 1854 e elevada a vila em 20 de maio de 1993 com cerca de 3.173 habitantes, situada a 4 km a Sudeste da Covilhã, pertencendo ao distrito de Castelo Branco, diocese da Guarda e à antiga província da Beira Baixa com uma área aproximada de 16,26  km². É limitada a:

− Norte: pela união de freguesias de Teixoso e Sarzedo e união de freguesias de Covilhã e Canhoso;

− Sul: pela freguesia do Ferro separada da Boidobra pelo rio Zêzere que serve de limite natural entre as duas freguesias;

− Leste: pela freguesia de Peraboa;

− Oeste: pela freguesia do Tortosendo.

            A freguesia fica localizada no sopé da Serra da Estrela fazendo, por isso, parte da Beira Interior, em plena Cova da Beira, e tem como seus anexos os lugares de Quinta Branca, Sangrinhal, Ribeiro Negro, Beco, Mata Mouros, Roncão, Abadia, Prazo, Carregal, Moreirinha e Covelo.

            A norte da freguesia, encontra-se a Serra da Estrela sobejamente conhecida pelos seus atributos naturais e turísticos. Quase dentro da freguesia, passam quatro ribeiros que tiveram (e em certa medida continuam a ter) primordial importância na cultura desta terra. Era nesses ribeiros que outrora funcionavam os moinhos/azenhas e de onde se regavam os terrenos cultivados nas suas margens ou, ainda, se deslocavam as mulheres locais para a lavagem quotidiana da roupa. Antigamente, Boidobra era circundada praticamente só por pinhais e matas, mas com a evolução, os pinheiros foram cortados e em seu lugar ergueram-se edifícios que em muito vieram contribuir para a expansão desta freguesia. Quem há uns anos viesse à Boidobra encontraria grandes olivais, pinhais, vinhas e sobretudo milheirais, principal produção no início do século passado, juntamente com o linho. Hoje, estas culturas resumem-se a pequenos “chãos” (terrenos de pequena dimensão). A Boidobra, de terra essencialmente rural, passou a dedicar-se aos serviços e à indústria. Para que isso acontecesse, muito contribuíram as indústrias de lanifícios sendo, atualmente, das principais ocupações desta comunidade. Destacamos, pela sua importância e por empregar muitos naturais desta vila, a empresa Paulo de Oliveira, localizada nesta freguesia e que é a maior empresa produtora de tecidos de lã da Península Ibérica integrando um dos maiores grupos económicos da Europa.

 Relevo

            No que ao relevo diz respeito, estamos em presença de um relevo de baixa altitude e mais ou menos regular tendo o ponto de maior altitude de 446,2 metros e o mais baixo de 422,5 metros apresentando, portanto, um desnível de 23,7 metros. Por se situar no sopé da Serra da Estrela, possui bons solos agrícolas razão pelo que, presentemente, além das pequenas agriculturas de subsistência, há também as grandes explorações agrícolas (ex. Quinta do Tapado).

Clima

            As condições climáticas na Boidobra têm em parte as mesmas características gerais do clima da Serra da Estrela. Por se situar em plena Cova da Beira tem temperaturas mais amenas durante o inverno apesar de os verões serem demasiado quentes, registando assim, uma temperatura média anual de 14,6º C. Em relação à pluviosidade, segue as características gerais do clima da serra, apesar de, e devido à baixa altitude, os totais de precipitação serem inferiores registando, assim, um valor anual de 975mm.

Património cultural e edificado 

  • Igreja matriz com campanário

A antiga igreja matriz, é uma construção que foi recebendo sucessivos contributos dos séculos XVI, XVII e XVIII. Apresenta-se de arquitetura maneirista e barroca de planta longitudinal, composta por uma nave, uma capela-mor mais estreita, uma sacristia e um campanário adossado de duas sineiras. A execução do retábulo-mor em estilo barroco e talha dourada e do púlpito data de finais do século XVII e os retábulos da nave, bem como as colunas jónicas que sustentam o coro-alto, são setecentistas. No interior, destaca-se um retábulo de estrutura maneirista, muito alterado, proveniente da antiga capela do Espírito Santo.

  • Ponte Romana dos Piscos

Trata-se de uma ponte de arco único abatido, com 3 metros de largura e 4,5 metros de extensão, de que resta apenas o arco, de formato irregular, com o intradorso de aparelho isódomo e aduelas largas, de formato regular. Numa delas, existe uma inscrição delida. Conhecida pela população por Ponte dos Piscos, construída na época medieval, foi provavelmente edificada sobre uma antiga ponte que integrava uma via romana de ligação a Idanha-a-Nova. Atravessa um pequeno ribeiro, sendo constituída por tabuleiro de pedras irregulares.

Poderia também fazer parte de uma antiga canada que partia da Covilhã e se dirigia à Ponte Pedrinha.

  • Alminhas

As Alminhas são padrões de culto aos mortos, construídas em vários materiais onde se destacam, por qualidade e quantidade, o trabalho em pedra.

Na parte inferior destes trabalhos em cantaria, normalmente em forma de nichos, pintavam-se painéis de almas no Purgatório. Na parte superior destacam-se os painéis com nuvens e Anjos, onde figuram a Santíssima Trindade, Cristo Crucificado, a Virgem Maria, Santo António, S. Miguel com a balança e tantas outras figuras de Santos.

Na Boidobra, existem atualmente duas alminhas: uma a norte e outra a sul da parte antiga da povoação. A da parte sul poderá indicar o caminho para a Capela de Nossa Senhora da Estrela. Ambas estão localizadas no cruzamento de caminhos, as quais nos poderão orientar na tradição popular, em que serviam para nos livrar dos encontros da má-hora.

  • Capela de Nossa Senhora da Estrela

Substituta de uma outra que existiu no mesmo local e da qual nada resta, a capela de Nossa Senhora da Estrela sofreu profundas obras de restauro no século XVI. É um exemplar de arquitetura vernácula, com nave única, capela-mor ligeiramente mais estreita e coro-alto, ao qual apenas se acede pelo exterior. O retábulo-mor neoclássico data do século XIX. Em alusão à padroeira, a porta principal é encimada por um escudo decorativo com ave e três estrelas, existindo uma lenda rezando que a ave seria um bicho denominado por “pâmpano” que esteve na origem da capela.

  • Igreja Paroquial

Espaço concebido em 1975-1980 como igreja-salão, desenhada pelos arquitetos Nuno Teotónio Pereira e João Correia Rebelo, pretendia assumir-se como um espaço polifuncional, em que o altar fosse móvel, de modo a poder assumir diferentes utilizações e organizações internas. Tal desenho acabou por não se realizar na íntegra. Foi inaugurada em 7 julho de 1985 e é constituída por grande nave, capela do Santíssimo, sacristia, escritório, arquivo e salas de catequese.

Gastronomia 

  • Panela no Forno 
  • Sopa de Cavalo Cansado
  • Bucho de Porco
  • Grão Guisado com Massa (Grão à Boidobra)
  • Fatias Douradas
  • Arroz Doce
  • Sarrabulho 
  • Sarapatel de Cabidela
  • Caldudo (castanhas secas) 
  • Papas de Carolo
  • Bolo Doce,

Artesanato 

  • Cerzideiras e Cesteiros

Presidente – Marco António Barreiros Gabriel (CDU | PCP-PEV)

Tesoureiro – Ricardo Miguel Lopes Chorão Basílio Martins (CDU | PCP-PEV)

Secretário – Tiago Miguel Silveira Duarte (CDU | PCP-PEV)

Presidente – António José Bispo Machado (PSD)

1ª Secretária – Inês Filipa Gonçalves Lourenço (MIPP)

2ª Secretária – Maria de Matos Costa Correia (PSD)